Área do Ferrabraz é reconhecida como unidade de conservação em Sapiranga

Município: Sapiranga

Local protege exemplares importantes da fauna e da flora locais, como o bugio--ruivo e a araucária CRÉDITO: PREFEITURA MUNICIPAL DE SAPIRANGA/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Local protege exemplares importantes da fauna e da flora locais, como o bugio–ruivo e a araucária CRÉDITO: PREFEITURA MUNICIPAL DE SAPIRANGA/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Mais do que um cartão-postal, o Morro Ferrabraz, que concentra uma riqueza de espécies vegetais e animais, agora é Unidade de Conservação. Em compasso de espera desde o ano passado, o processo de cadastramento da Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), com 5.761 hectares de Mata Atlântica, foi concluído e registrado no Sistema Estadual de Unidades de Conservação (Seuc). “Com certeza, essa decisão só fortalece nossos projetos em andamento, voltados aos cuidados e ao manejo dos recursos naturais, ao mesmo tempo em que oportuniza novas experiências e bem-estar aos milhares de turistas que visitam esse patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade”, afirma a prefeita Corinha Molling, acrescentando que o equilíbrio ecológico traz valor agregado ao fomento de atividades ecoturísticas.
O histórico de conservação da área começou em 1987, com o reconhecimento da importância biológica e histórico-cultural da região, onde, na segunda metade do século XIX, ocorreu a batalha dos Mückers. O local ainda protege exemplares importantes da fauna e da flora locais, como o bugio-ruivo e a araucária. Contudo, só em 2016, com a promulgação da lei de criação da Arie, e, no ano seguinte, com a delimitação da área, foi garantida a adequada proteção dessa importante região do Estado.
O coordenador do Seuc, Daniel Vilasboas Slomp, salientou que as áreas de uso sustentável são importantes por permitirem a exploração do ambiente, garantindo a manutenção dos processos ecológicos e da biodiversidade de maneira economicamente viável. O técnico destacou que estão asseguradas as atividades de ecoturismo, como a prática de voo livre e o uso dos balneários. “A região dos contrafortes do Ferrabraz tem características naturais extraordinárias, e a validação dessa área como Unidade de Conservação busca garantir a manutenção da paisagem e das florestas nativas com o uso consciente dos recursos naturais pelas comunidades locais. Além disso, a área se caracteriza como um importante sítio histórico da colonização”, explicou Slomp.
Plano de manejo de conservação
Segundo a diretora do departamento do Meio Ambiente de Sapiranga, Bruna de Oliveira Boeni Fonseca, o município vai começar, ainda neste ano, o plano de manejo de conversação, estudo que deve ser realizado por uma empresa especializada. “Esse documento terá todas as diretrizes de uso da área, zoneamento e o mapeamento da fauna e da flora. Vai trazer regramento e auxiliar na conservação, freando o crescimento desordenado no entorno”, destaca.
A motivação para proteger o Morro Ferrabraz por vias legais surgiu a partir de 2015, quando a Eletrosul informou que instalaria novas redes de transmissão de energia. Por conta disso, foram realizadas audiências públicas, e, no ano passado, foi aprovada a Lei Municipal nº 5.900/2016, criando a Arie do Morro Ferrabraz. O projeto também foi vetado pela Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam).
O Morro Ferrabraz concentra 57 espécies de mamíferos, 133 de aves e 18 de répteis e anfíbios, diversas delas ameaçadas de extinção. Também foram cadastradas 192 espécies de árvores e 16 de orquídeas e bromélias, muitas que só existem na área, consideradas raras e ameaçadas de extinção. Destas, 22 estão correndo o risco de desaparecerem. Já em relação à fauna, 15 animais estão ameaçados, entre eles, o bugio-ruivo e a jaguatirica. O local concentra praticantes de voo livre, mountain bike e caminhadas.