Agroindústria familiar de Palmeira das Missões conquista Selo Sabor Gaúcho

Município: Palmeira das Missões

A proprietária Eneia de Oliveira produz, semanalmente, cerca de meia tonelada de pães, bolachas e cucas CRÉDITO: PRISCILA DEVENS-AI/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Atualmente, várias famílias de agricultores trabalham na informalidade com a produção e processamento de alimentos. No município, sete agroindústrias estão procurando se adequar ao Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) para poderem comercializar seus produtos para a alimentação escolar e feiras municipais.

O programa busca proporcionar condições favoráveis para a geração de trabalho e renda do meio rural, contribuindo para a melhoria das condições de vida das famílias rurais. Além disso, possibilita aos agricultores familiares a agregação de valor à produção primária e contribuiu para o desencadeamento de um processo de desenvolvimento socioeconômico em nível municipal, regional e Estadual.

Após a liberação da agroindústria, é possível entrar com o pedido para aderir ao Selo Sabor Gaúcho, que certifica a procedência dos produtos da agricultura familiar e permite a comercialização em âmbito local.

Contudo, recentemente, a agroindústria familiar Salmos de Davi, de propriedade de Eneia de Fátima Rodrigues de Oliveira, conquistou um importante passo na formalidade do seu trabalho. Localizada na Esquina Scherer, no interior do município, a agroindústria é a primeira da cidade a receber o alvará de licença para atuar como agroindústria e a possuir o Selo Sabor Gaúcho.

Eneia produz semanalmente quase meia tonelada de pães, bolachas, cucas e demais produtos da indústria de panificação e explicou que, no início, entre os anos de 2010 e 2011, o processo era bastante artesanal, com poucos equipamentos e comercializando apenas para amigos e vizinhos. “Eu e minha irmã chegamos a montar uma micropadaria, mas ela foi embora e acabei parando com a produção, desanimada”, afirmou ela, acrescentando que, na época, seguiu apenas com encomendas e sem muito compromisso.

Contudo, Eneia começou a participar de reuniões, demonstrações de métodos da Emater na localidade da Esquina Scherer e cursos nos Centros de Treinamento da Emater de Erechim e Bom Progresso, com temas como Boas práticas de fabricação, Panificação e Gestão Administrativa, sendo estimulada a sair da informalidade. Foi através destes cursos que ela foi encaminhada ao Feaper – linha de financiamento para aquisição de mais equipamentos para a agroindústria. Assim, em 2013, ela conquistou o alvará de licença para a agroindústria e recentemente o Selo Sabor Gaúcho.

Com isso, Eneia passou a vender sua produção para a merenda escolar das escolas estaduais e municipais, além dos clientes já fidelizados. “Sempre tive o interesse em me capacitar”, afirma ela, que antes cuidava da casa e agora possui atividade profissional e fonte de renda. Atualmente, toda a família se envolve na produção, como os filhos, o marido e a sogra, além de gerar um emprego informal remunerado para uma vizinha.

Até o momento, os lucros adquiridos com a venda dos produtos estão sendo investidos em mais melhorias na agroindústria, como observou Eneia. “Pretendo melhorar ainda mais e, quem sabe, me instalar na cidade”, esclarece, acrescentando que já encaminhou pedido de crédito, através do Pronaf Mais Alimentos, para comprar uma caminhonete para fazer o transporte das mercadorias do interior até as escolas e para os clientes da cidade.

Além utilizar produtos orgânicos e de qualidade, a água usada para fazer os pães, bolachas e demais alimentos vem de uma fonte dentro da propriedade da família. Eneia enfatizou que, periodicamente, coleta uma amostra da água para que seja emitido laudo atestando a boa qualidade. “Ela é tão pura que nem foi necessário fazer tratamento”, comenta, destacando ainda que, com o auxílio dos extensionistas da Emater, foi feita a proteção da fonte com pedras, para não escorrer a água da chuva vinda da lavoura.

De acordo com a chefe do escritório da Emater do município, Zuleica Magalhães Malheiros, e com o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Lúcio Borges, em breve mais uma agroindústria da cidade receberá o alvará para funcionamento e o próximo passo será a conquista do selo.

O secretário ainda chama a atenção para o credenciamento do município ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agroindustrial (Susaf), uma vez que os fiscais da secretaria estadual de Agricultura estiveram recentemente na cidade vistoriando as instalações da secretaria municipal de Agricultura e Meio Ambiente e nos estabelecimentos credenciados. Aderindo ao Susaf, as agroindústrias familiares que produzem produtos de origem animal (embutidos e laticínios) ampliarão seu limite de comercialização, que, até o momento, é somente dentro do município, para todo o Estado.