Igreja São Domingos vai ser reinaugurada neste sábado em Torres

Município: Torres

Obra de restauração teve duração de sete anos CRÉDITO: EGIDIO PANDOLFO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Obra de restauração teve duração de sete anos CRÉDITO: EGIDIO PANDOLFO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

A Igreja São Domingos de Torres, bem tombado pelo patrimônio histórico e precioso elemento da memória histórica e religiosa do Rio Grande do Sul, passou por um importante processo de restauro. Após sete anos de obras, a igreja será entregue à comunidade. A reinauguração está agendada para este sábado, às 10h30min, na rua Padre Lamonaco, nº 2, Morro do Farol. E, às 15h30min, serão realizadas as palestras Igreja São Domingos de Torres – a viabilização do projeto de restauração através das leis de incentivo à Cultura, ministrada pelos gestores culturais Lucia Silber e Manuel Dias, da Lahtu Sensu Administração Cultural; e Primórdios da Capela e Matriz de São Domingos das Torres – 1815 – 1856, com o jornalista Nelson Adams Filho, coordenador do Centro de Estudos da História de Torres e Região, e demais membros da entidade.
A edificação da Capela de São Domingos, iniciada em 1820 e inaugurada em 24 de outubro de 1824, constitui-se na primeira igreja construída no trecho litorâneo entre Laguna (Santa Catarina) e Osório (Rio Grande do Sul), sendo a segunda mais antiga do Litoral do Estado. Localizada no Morro do Farol, é o marco inicial do núcleo urbano de Torres, pois foi a partir da igreja que a cidade se desenvolveu.
Erguida por prisioneiros de guerra, guarani-cristãos castelhanos, a edificação é representativa da arquitetura luso-brasileira com trato barroco. O prédio e sua decoração interna têm um estilo eclético, com alguns traços neoclássicos e mesmo neogóticos. Sua única torre foi erguida em 1898 pelo Padre José Lamônaco. Encontram-se, em sua lateral direita, as fundações da segunda torre, que não foi concluída. Junto à igreja, está localizada a Casa n°1, que recebeu o Imperador D.Pedro I em sua passagem pelo local. Em 1983, a Igreja Matriz de São Domingos, passou a integrar o patrimônio cultural do Estado, através da Portaria de Tombamento n°5/83.
Projeto e obra
Em 2004, foi elaborado o projeto arquitetônico de restauro, assinado pelo arquiteto Edegar Bittencourt da Luz. Em dezembro de 2010, o projeto foi aprovado junto ao Programa Nacional de Apoio à Cultura (Ponac), e, em abril de 2011, junto à Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS). Desde então, uma equipe multidisciplinar liderada pelo bispo Dom Jaime Kohl, da Mitra de Osório, que investiu os recursos necessários para a elaboração dos projetos, tem se empenhado incansavelmente na captação dos valores que vêm viabilizando as obras. Essas se iniciaram em 2010, com recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC) no valor de R$ 300.000,00 e contrapartida da prefeitura, de R$ 75.613,50, e da Mitra Diocesana de Osório, no valor de R$ 59.559,98.
Em 2013, as obras contaram com o financiamento do governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio da lei de incentivo à cultura estadual (Pró-Cultura RS LIC), no valor de R$ 1.015.909,72, e do governo federal, por meio da lei de incentivo à cultura nacional (Lei Rouanet), de R$ 819.450,55, patrocinados pelas empresas Tramontina (patrocinadora máster), Gerdau, Companhia Estadual de Energia Elétrica (Ceee), Banrisul, Randon, Casa Perini, Malharia Anselmi, entre outras. O projeto tem execução da Arquium Construções e Restauro e gestão administrativa da Lahtu Sensu Administração Cultural. O custo total do projeto foi de R$ 2.270.533,75.
Saiba mais sobre o restauro
Em 2008, a igreja foi interditada para o uso e visitação. Quando foi iniciada a restauração, em 2010, o estado físico estava comprometido por infiltrações nas paredes e a torre e a fachada estavam em avançado grau de erosão pluvial e eólica. Foram mantidos sua estrutura e estilo original, evidenciando as fases históricas da mesma. As intervenções gerais para restauro, definidas conceitualmente como conservacionistas, ocorreram a partir da estabilização das estruturas murarias em pedra e barro e das estruturas da cobertura e beirados. A equipe procedeu a colocação de reboco transpirável em cal e areia, além da requalificação dos elementos de vedação em esquadrias de madeira, restauradas ou novas. Além disso, a estrutura de forros e pisos foram substituídos por madeira de alta densidade.
Também foram restaurados os bens integrados (imagens de santos em madeira e mobiliário), além da pavimentação do adro e dos blocos de arenito em cantaria, com a pintura à base de cal. A etapa final da obra consistiu na dotação de infraestrutura de instalações hidráulicas, elétricas e proteção a incêndio e segurança, bem como na implantação do sistema de drenagem e escoamento das águas pluviais e de acessibilidade.