Minha Escola de Cara Nova já beneficiou mais de 8 mil alunos de Passo Fundo

Município: Passo Fundo

Melhorias buscam um novo conceito na organização e readequação dos ambientes CRÉDITO: PREFEITURA MUNICIPAL DE PASSO FUNDO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Melhorias buscam um novo conceito na organização e readequação dos ambientes CRÉDITO: PREFEITURA MUNICIPAL DE PASSO FUNDO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Desde que foi implantado, o Programa Minha Escola de Cara Nova, que tem como objetivo revitalizar e melhorar o ambiente escolar, cerca de 8 mil alunos da rede municipal já foram beneficiados com salas de aulas renovadas, mobiliários novos, acessibilidade e muitas outras melhorias. O programa tem qualificado os espaços das escolas fundamentado em princípios pedagógicos, proporcionando um atendimento mais adequado, qualificando a aprendizagem e assim garantindo o acesso e a permanência dos alunos na escola. Até agora, pelo menos 56 escolas já foram antedidas, segundo a coordenadora, professora Luciane Dadia Rodrigues.
As escolas beneficiadas são tanto da Educação Infantil como do Ensino Fundamental e as melhorias buscam um novo conceito na organização e readequação dos ambientes. Na semana passada, mais uma obra foi finalizada, a da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Urbano Ribas, no bairro Independente, onde foram realizadas melhorias na parte externa do prédio, pintura das salas de aula que atendem mais de 400 alunos, mobiliário novo, nova biblioteca, que ficou mais ampla e com presença maior de claridade, jardins, hall de entrada e ginásio, além da colocação da cisterna e de obras complementares em outros setores.
Atualmente, o programa está desenvolvendo as melhorias na Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida. O local já foi uma escola rural, nos tempos em que os limites urbanos de Passo Fundo eram menos extensos, isso há cerca de 30 anos. Hoje, já dentro da área urbana, fazendo parte do bairro Nossa Senhora Aparecida, a escola, atende 85 alunos nas turmas de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
Espaço aberto para brincadeiras e aprendizado, salas de aula integradas, restauração das paredes com novo reboco e cores agradáveis são apenas algumas das mudanças pelas quais a escola já passou. Os móveis de cada uma das salas de aula, que também ganharam novo piso e pintura, são todos adequados à idade e altura das crianças, tornando mais fácil o acesso aos materiais. Além desses trabalhos, outras melhorias seguem sendo feitas na escola que, em breve, terá o programa finalizado.
Restauração de placas de trânsito garante melhor sinalização
A secretaria municipal de Segurança Pública realiza um novo trabalho há cerca de dois meses: a restauração de placas de sinalização de trânsito. Desde então, o destino final de todas as placas substituídas pelo desgaste natural do tempo não é mais o lixo, massim a reutilização.
O material é lixado e pintado novamente, sendo finalizado com a colocação de uma película própria. As novas placas são utilizadas para qualificar a sinalização em diferente partes da cidade, além de servir como solução para mudanças que necessitam de agilidade, como conta o secretário de Segurança Pública, João Darci Gonçalves. “Não dependemos daquele processo administrativo para compra do material, às vezes, demorado. Ganhamos tempo, o que é muito importante para uma eventual necessidade. Temos a possibilidade de em poucos dias confeccionar essas placas”, observa ele, que ressalta também a economia gerada para o município.
A solução encontrada através da reutilização do material ainda contribui para uma ação mais sustentável. “Esse material não vai mais para o lixo. É uma ação que só beneficia”, finaliza Gonçalves. Até o momento, 120 placas já foram confeccionadas para sinalizar as ruas da cidade, como as ruas Princesa Isabel e Morom, algumas das beneficiadas.
O setor criado na secretaria de Segurança Pública foi idealizado pelo coordenador de Trânsito, Nelson Feula, com apoio de uma integrante dos agentes de trânsito e uma estagiária do curso de Arquitetura e Urbanismo. No espaço pequeno, todos os materiais estão disponíveis para o servidor Ademilson Rodrigues fazer as novas placas. Duas mesas, tintas, moldes, películas e equipamentos para realizar o serviço são suficientes para realizar todo o trabalho.

Escolas de Passo Fundo se unem por uma cidade cada vez mais leitora

Município: Passo Fundo

4ª edição da Estação de Leitura ocorreu no último sábado, na Escola Daniel Dipp CRÉDITO: FABÍOLA HAUCH/DIVULGAÇÃO/CIDADES

4ª edição da Estação de Leitura ocorreu no último sábado, na Escola Daniel Dipp CRÉDITO: FABÍOLA HAUCH/DIVULGAÇÃO/CIDADES

O envolvimento das escolas municipais com a Estação de Leitura da 16ª Jornada e da 8ª Jornadinha Nacional de Literatura mobiliza alunos, professores e toda a comunidade. O projeto que busca “jornalizar” a cidade, especialmente as escolas, contou com a 4ª edição no último sábado, dia 26, na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Daniel Dipp, que fica no bairro Hípica. Todo o trabalho nas escolas é realizado com apoio da secretaria municipal de Educação para colocar em prática a proposta das Jornadas Literárias, que é levar a leitura para todos os espaços da cidade.
A abertura da Estação de Leitura se iniciou com a apresentação do coral, que embalou o público com a música tema desta edição da Jornada, E agora, você? (Dos Moinhos à Matrix), uma das preferidas entre as crianças e os adolescentes. A mensagem a ser passada era apenas uma: somos leitores! Além dos mais de 600 alunos da Daniel Dipp e dos moradores do bairro, a comunidade recebeu centenas de alunos das escolas municipais Senador Pasqualini, Arno Otto Kiehl, Arlindo Luiz Osório, Santo Agostinho e Coronel Sebastião Rocha.
Para o secretário de Educação, Edemilson Brandão, a celebração literária da Jornada é constante na cidade. “Temos aqui um espaço bem cuidado pelos colegas para receber toda a comunidade neste encontro em que nossos alunos são protagonistas de uma grande festa que é a Jornada. Nosso alunos não vão apenas assistir, mas dialogar com os autores e atividades, fazendo parte efetiva deste momento. Ficamos muito felizes com essa participação, incentivada com todo o apoio de nossas equipes”, disse ele.
Com os alunos vivendo as possibilidades oferecidas por um mundo onde a leitura é protagonista, muitos trabalhos foram produzidos. Bonecos de monstros, fantoches, fotos temáticas de terror e suspense, releitura das obras, painel com desenhos, quebra-cabeça de monstros, dado de poesia, recitação de poemas, além de pintura, dança, teatro e outras apresentações artísticas foram algumas das criações da escola. A Árvore das Palavras e a Árvore das Pequenas Alegrias também chamaram a atenção.
Os coordenadores da 16ª Jornada Nacional de Literatura, Fabiane Verardi Burlamaque e Miguel Rettenmaier, também destacam o envolvimento das escolas e a expectativa dos autores convidados para a Jornada, que estão ansiosos para conferir todos os trabalhos realizados e conversar com os alunos. Segundo o professor Miguel, a ideia é justamente levar a leitura como um canal de comunicação em todos os espaços. “A cidade tem diferentes espaços e identidades relacionadas a uma série de elementos sociais e econômicos. A melhor maneira de compartilhar e estabelecer algum tipo de canal de comunicação é a leitura, fundamentalmente pelo fato de que quando as pessoas leem em comum elas também compreendem-se mutuamente. Isso é o que a Jornada tem estabelecido, fomentar a comunicação entre os espaços mais variados da comunidade”, afirmou. A moradora do bairro Valinhos, Inês Pagno, foi até a Hípica para conhecer a Estação de Leitura. “É interessante trazer para os bairros, porque nem sempre podemos ir ao Centro ou outro lugar mais distante. Traz mais liberdade e podemos conhecer o que está sendo feito, estar mais perto da leitura e das escolas”, observou ela.
A mãe das estudantes Janaíne, Fernanda e a Cassiéli, Marilene Dalagñol, falou um pouco de como as atividades das Jornadas Literárias, especialmente da Pré-Jornadinha, mudaram o dia a dia da Daniel Dipp. “O envolvimento com a leitura é maravilhoso. Faço parte da Associação de Pais e Professores da escola, então acabo sempre envolvida nas atividades. A animação deles é contagiante, principalmente ao ver não apenas os meus filhos lendo, mas também todos os alunos”, comentou. Marilene também relata a mudança em casa. “Lá em casa, a leitura é constante, o presente preferido delas é o livro. Mas, com a Pré-Jornadinha, é automático ter um envolvimento bem maior com a leitura. Muito positivo!”, finalizou.
Toda a equipe da Daniel Dipp estava identificada com uma camiseta que estampava a frase “Ler é ser. Aqui se lê! Aqui se é!”, em alusão à música tema da Jornada, mas também pela mobilização coletiva da escola. Quem conta é a diretora Ana Delise Claich Cassol. “Para nós, é uma alegria sediar este evento. Fizemos um trabalho com muita dedicação e carinho, e aceitamos mostrar como a leitura é muito importante”, ponderou Ana, que agradeceu o apoio de todos, equipe da Jornada, universidade e prefeitura.
A estruturação arquitetônica do projeto Estações de Leitura contou com parceria do Viva!Emau, o Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Passo Fundo (UPF). A ideia consistiu em mostrar um espaço plurifacetado de permanência, composto por um palco principal e por parklets, as chamadas parkletas, em que funcionam espaços distintos para oficinas e contação de histórias. As pequenas tendas também serviram como espaço livre de circulação e interação. As Estações de Leitura, além da integração da escola, estende a atividade para toda a população. Assim, todos os passo-fundenses podem participar e também protagonizar a preparação para o grande evento que acontece de 2 a 6 de outubro. A próxima Estação de Leitura acontece neste sábado, dia 2 de setembro, das 8h30min às 11h, na Emef Wolmar Salton (rua Claudino Toldo, nº 155, São Cristóvão).

 

Sala de aula vai para a rua em mais uma Estação da Leitura em Passo Fundo

Município: Passo Fundo

Atividades tiveram como pano de fundo a Jornada Nacional de Literatura e a Jornadinha CRÉDITO: GLENDA VIVIAN/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Atividades tiveram como pano de fundo a Jornada Nacional de Literatura e a Jornadinha CRÉDITO: GLENDA VIVIAN/DIVULGAÇÃO/CIDADES

A manhã do último sábado, dia 19 de agosto, foi de estudantes e comunidade reunida na Vila Jardim. Assim foi mais uma edição da Estação da Leitura, com a participação das escolas municipais Antonino Xavier, Dom José Gomes, Cohab Secchi, Georgina Rosado e Coronel Lolico. O evento contou com apresentações artísticas, exposição de trabalhos e oficinas, que tiveram como pano de fundo a Jornada Nacional de Literatura e a Jornadinha, que acontecem no mês de outubro.
Para a diretora da escola Antonino Xavier, Vera Lucia Mondin Santos, foi uma “atividade maravilhosa”. Ela salientou, ainda, a oportunidade de mostrar o que é feito pela escola. “A literatura, vindo para vila, vindo para as escolas, é simplesmente maravilhoso. E essa oportunidade de mostrarmos fora da sala de aula o que é desenvolvido pelos professores, mostrando a capacidade e o potencial dos alunos é a forma de salientar a qualidade do que é desenvolvido em sala de aula”, destaca.
E foi assim para as amigas e colegas do terceiro ano da escola, Jamile, Lauren e Dominique. Ao lado da exposição dos trabalhos da turma delas, elas disseram se sentir muito felizes em participar da Estação da Leitura e em poder mostrar para os pais, para a comunidade e para os alunos das outras escolas os trabalhos que fizeram em aula.
As atividades promovidas pelas Estações de Leitura têm como objetivo “jornalizar” a cidade e, também, as escolas. Para a professora Fabiane Verardi Burlamaque, coordenadora da 16ª Jornada Nacional de Literatura, as Estações são o momento em que as escolas confraternizam e mostram o que fizeram de atividades.
A estruturação arquitetônica do Projeto Estações de Leitura contou com parceria do Viva!Emau, o Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Passo Fundo (UPF). A ideia consistiu em mostrar um espaço plurifacetado de permanência, composto por um palco principal e por parklets, as chamadas parkletas, em que funcionam espaços distintos para oficinas e contação de histórias. As pequenas tendas também serviram como espaço livre de circulação e interação.

 

Universidade de Passo Fundo testa emulsificantes na produção de cremes vegetais

Município: Passo Fundo

Pesquisa foi desenvolvida na universidade e teve seu registro de patente feito junto ao Inpi CRÉDITO: GELSOLI CASAGRANDE/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Pesquisa foi desenvolvida na universidade e teve seu registro de patente feito junto ao Inpi CRÉDITO: GELSOLI CASAGRANDE/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Comer bem é um desafio na atualidade. Por conta da correria do dia a dia, do aumento das demandas de trabalho e da falta de tempo, as pessoas buscam cada vez mais uma alimentação completa: saudável, nutritiva e funcional. Pensando nisso, as empresas e as indústrias alimentícias estão desenvolvendo produtos que vão ao encontro dessa procura. Nesse processo, alguns desafios são superados por meio da ciência. E foi exatamente isso que aconteceu com a empresa Pazze Alimentos e duas alunas do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade de Passo Fundo (UPF). Com um problema em mãos, elas encontraram uma nova técnica para a produção de um creme vegetal. A inovação já teve sua patente registrada junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).
A ideia surgiu a partir de um problema enfrentado pela Pazze Alimentos. Fundada em 2002, a empresa trabalha com uma linha de óleos vegetais prensados a frio e cereais integrais. O desafio era conseguir homogeneizar o óleo extraído com nozes, cereais e grãos para obter um creme vegetal e natural, com uso de emulsificantes naturais. Foi nesse momento que entraram em ação as então acadêmicas Luana Garbin Cardoso e Janine Fernanda Ceolan, hoje egressas do curso de Engenharia de Alimentos da UPF, que, naquele momento, eram alunas da disciplina de Projeto de Conclusão de Curso, orientadas pela professora dra. Luciane Maria Colla. Hoje, Luana continua suas atividades como pesquisadora, agora fazendo seu mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos (Ppgcta).
De acordo com Luana, o primeiro contato foi feito com a engenheira de alimentos formada na UPF Joice Barea Mello, que prestava assessoria para a empresa. Como a extração dos óleos é feita por prensagem a frio, a fim de manter as características antioxidantes, após o processo, restam as farinhas das matérias-primas, como amendoim, castanha do Brasil, gergelim, linhaça, macadâmia, banana verdade, quinoa, coco e noz pecan, com um residual de óleo. O objetivo era desenvolver um creme a partir desses materiais, mas o desafio era misturar os ingredientes.
A novidade na técnica desenvolvida é que os emulsificantes usados são naturais e não sintetizados a partir de derivados de ácidos graxos ou álcoois. Conforme as pesquisadoras, grande parte dos emulsificantes (que auxiliam na absorção) disponíveis comercialmente é sintetizada quimicamente, podendo apresentar toxidade dependendo da concentração de uso. Por conta disso, elas explicam que as novas tendências de desenvolvimento de produtos alimentícios têm levado à procura de aditivos naturais como alternativa aos existentes.
Aproveitando alguns estudos já desenvolvidos com o uso da Spirulina platensis, o grupo viu uma possibilidade de ampliar os testes. “Vimos a oportunidade de alinhar uma necessidade da empresa com a ciência desenvolvida aqui no laboratório. Como já estávamos trabalhando com a microalga Spirulina e com outros microrganismos (levedura de fermento de pão), testamos quatro possibilidades, com os materiais puros e com os emulsificantes extraídos deles, e todas deram resultado positivo”, frisa Luana.
Segundo a professora Luciane Colla, o emulsificante normalmente utilizado na indústria de alimentos é a lecitina de soja, mas ela é quem domina o mercado e, por isso, não existem muitas opções. “Existem opções sintéticas, mas criamos novas opções de emulsificantes naturais, oferecendo, juntamente com isso, um elemento com proteínas e antioxidantes. A descoberta abre caminho para que, no futuro, exista a possibilidade de utilizar a Spirulina de forma comercial, podendo entrar no mercado como emulsificante natural, além das demais propriedades benéficas que possui”, ressalta.

 

Biblioteca de Passo Fundo abre exposição sobre a escritora Clarice Lispector

Município: Passo Fundo

A exposição fica aberta ao público até a 16ª Jornada Nacional de Literatura, que acontece de 2 a 6 de outubro CRÉDITO: FABÍOLA HAUCH/DIVULGAÇÃO/CIDADES

A exposição fica aberta ao público até a 16ª Jornada Nacional de Literatura, que acontece de 2 a 6 de outubro CRÉDITO: FABÍOLA HAUCH/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Escritora, amiga, mulher, mãe. Ao mostrar as diferentes facetas de umas das escritoras mais aclamadas da literatura brasileira, uma exposição busca a diversidade para que o público possa conhecer um pouco mais quem foi Clarice Lispector, homenageada pela 16ª Jornada Nacional de Literatura com o Espaço Lendas Brasileiras. A atividade também integra a programação da Jornada em Ação. As pessoas que passam pela biblioteca pública municipal podem não só contemplar a exposição, mas assistir à rara entrevista de Clarice concedida em 1977 ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura, divulgada apenas após a sua morte, que ocorreu no mesmo ano da entrevista, a pedido da escritora, assim como ler livros, cartas e conhecer um pouco mais de seu mundo.
A iniciativa é do Projeto Literatura em Diálogo, coordenado pela professora dra. Ivânia Campigotto Aquino, coordenadora de Inovações Educacionais do município e professora de Literatura da Universidade de Passo Fundo (UPF). O projeto é uma parceria entre a prefeitura, por meio do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura da secretaria de Educação, coordenado pela professora Suzana Einloft, que também organiza as atividades da Biblioteca Municipal Arno Viuniski; e a UPF, através do curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras, integrando o Programa Ensino e Inovação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/UPF).
A composição da exposição veio de muita pesquisa e da busca em trazer um cenário mais próximo da realidade. “Encontramos um texto com fragmentos de uma conversa entre Marina Colasanti e seu marido, Affonso Romano de Sant’Anna, falando sobre a relação de amizade com Clarice. Havia relatos de quando eles conheceram Clarice, além da descrição de algumas partes da casa dela, como uma janela que dava para rua, a parede com fotografias e desenhos, muitos livros empilhados em cadeiras e o cachorro nada simpático chamado Ulisses. Descobrimos também que Clarice adorava galinhas”, explica a estagiária do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura, Lissara Kaiuane.
Ao lado de Lissara, a bolsista Paidex, Gislaine de Oliveira de Almeida, também trabalhou na construção. “Utilizamos muito o Instituto Moreira Salles, do Rio de Janeiro, que tem um grande acervo sobre Clarice. Achamos fotos, trechos de textos e cartas trocadas entre familiares, seu marido e amigos, como Caio Fernando Abreu e Fernando Sabino. Disponibilizamos alguns destes materiais aqui na exposição para o público conferir”, finaliza. De origem ucraniana, Clarice veio para o Brasil com poucos meses de idade e se considerava uma brasileira de origem. O gosto pela literatura surgiu ainda quando era jovem, logo que aprendeu a ler e a escrever. Com o passar dos anos, sua escrita, voltada ao olhar interior, ganhou cada vez mais força, sendo referência para consolidar a prosa intimista no Brasil.
Para a coordenadora do projeto, a professora Ivânia, a exposição aproxima Clarice, tida por muitos críticos como uma escritora hermética, do público. “As pessoas passam a conhecer melhor a grande escritora que afirmou o gênero intimismo ao mergulhar, profundamente, no íntimo das personagens e nos trazer narrativas com temas que possuem transcendência, por serem daquelas experiências humanas que fazem o leitor perceber que está revelado no texto, que se reconheceu nas ações e pensamentos das personagens”, destaca.
A exposição fica aberta ao público até a 16ª Jornada nacional de Literatura, que acontece entre os dias 2 e 6 de outubro deste ano. A biblioteca municipal fica localizada na rua Morom, nº 2.019, no Centro do município. O horário de atendimento ao público é de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min às 17h30min. Aos sábados, o espaço também é aberto à comunidade das 8h às 11h30min.
Saiba mais sobre a Jornada
Em 2017, a Jornada Nacional de Literatura, que sempre teve como característica principal dialogar com a atualidade, se abre também para homenagear a tradição. Por isso, a 16ª edição da movimentação literária, que acontece entre os dias 2 e 6 de outubro, volta seus olhares a quatro grandes escritores brasileiros: Moacyr Scliar, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, contemplando sua trajetória e as obras que marcaram suas carreiras.
O primeiro fator que motivou a escolha dos escritores como homenageados foi o fato de o ano da Jornada estar relacionado ao nascimento ou ao falecimento desses autores. Moacyr Scliar e Ariano Suassuna nasceram em 1937 e em 1927, respectivamente. Já Drummond faleceu em 1987, enquanto Clarice faleceu em 1977. “Essas datas são importantes para nós, mas mais importante do que isso é alicerçar a literatura contemporânea à tradição”, destacou o coordenador da Jornada Miguel Rettenmaier.
O Espaço Lendas Brasileiras, Clarice Lispector é uma homenagem à autora, falecida em 1977, ou seja, quatro décadas antes do ano de edição da 16ª Jornada de Literatura de Passo Fundo. É composto por quatro lonas com nomes alusivos às personagens de lendas brasileiras transcritas por Clarice Lispector na obra Como nasceram as estrelas (1987): Tenda Yara, Tenda Malazarte, Tenda do Negrinho do Pastoreio e Tenda do Curupira. Esse espaço está reservado às atividades da 8ª Jornadinha nacional de Literatura.