Recanto Temático apresenta Caminhos da Soja na Expodireto em Não-Me-Toque

Município: Não-Me-Toque

Espaço apresenta 28 cenários, divididos por décadas e momentos marcantes envolvendo a cultura CRÉDITO: EMATER-RS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Espaço apresenta 28 cenários, divididos por décadas e momentos marcantes envolvendo a cultura CRÉDITO: EMATER-RS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

O Recanto Temático deste ano apresenta a soja como protagonista e traz um resgate histórico desta cultura tão importante para o setor agropecuário do Rio Grande do Sul e do País. A Emater e Cotrijal apresentam na Expodireto 2017, que segue até amanhã, 10 de março, os Caminhos da Soja no Rio Grande do Sul, traçando uma linha do tempo desde a chegada do grão do Estado, mostrando suas aptidões, usos e expansão, até os dias de hoje.
O governador José Ivo Sartori prestigiou o espaço e percorreu os Caminhos da Soja na tarde da última segunda-feira, dia 6, acompanhado de lideranças e representantes de entidades de todo o Estado, como o secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), Ernani Polo; o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Tarcísio Minetto; o presidente da Emater-RS, Clair Tomé Kuhn; o presidente da Cotrijal, Nei Mânica; e demais autoridades. “Esta é uma evolução histórica importante, que deve ser preservada. Nós somos responsáveis por fazer novos caminhos e precisamos contar com a tecnologia para isso”, destacou o governador.
O Recanto Temático, localizado no espaço da Emater na feira, apresenta 28 cenários, divididos por décadas e momentos marcantes da história do Rio Grande do Sul envolvendo a cultura. “Nosso trabalho foi buscar informações, fazer uma série histórica sobre a cultura da soja, para saber desde quando passou a ser recomendada e aproveitada no Rio Grande do Sul. Aqui no espaço, pontuamos alguns fatos que marcaram a abertura dos campos no Estado com a implantação soja e, a partir disso, a indústria, comercialização, consumo e desenvolvimento da cultura, até a exportação”, comentou o coordenador da Emater, Celso Siebert.
No local, os visitantes encontrarão fotos, figuras, ilustrações e objetos de época que servirão para pontuar a história da soja no Estado. “Nós marcamos alguns fatos importantes dessa trajetória, mas o nosso objetivo é que cada visitante faça a sua leitura do caminho, interprete à sua maneira”, completou Siebert.
Alguns fatos importantes
O primeiro fato que marcou a presença da soja no Rio Grande do Sul aconteceu em 1923, com a chegada do pastor Albert Lehenbauer, que, ao chegar em Santa Rosa, levou sementes de soja e orientou alguns agricultores sobre o valor alimentício do grão para a engorda dos animais. Pouco tempo mais tarde, em 1926, técnicos já recomendavam a soja como adubo verde. Na década de 1940, o cultivo da cultura foi ganhando maior destaque e se tornou uma aposta certa para os produtores gaúchos. O valor agregado à indústria, a possibilidade de utilização como forragem, bem como na alimentação humana, sob forma de grãos e farinha, sendo a mais rica fonte de proteína encontrada na natureza, foram algumas das razões que levaram os produtores a investir na cultura.
A partir de 1960, a revolução dos transportes e a participação das cooperativas intensificaram a produção. Na década de 1970, a Assistência Técnica e Extensão Rural fortaleceu seu trabalho junto aos produtores, através de ações como a Operação Tatu, que coletava amostras de solo para análise, também como o uso de calcário para correção da acidez do solo, uso de adubos químicos para nutrir as plantas, entre outros manejos necessários para desenvolver a soja.
No Recanto Temático, os visitantes, além de acompanharem os caminhos percorridos pela soja, vislumbram também os diferentes produtos oriundos desta matéria-prima, como o óleo, o biocombustível, a ração animal e os industrializados para o consumo humano. A soja impulsionou a mecanização e o profissionalismo no campo, trouxe rentabilidade financeira nas lavouras, abriu mercados internos e externos, desenvolveu infraestrutura, transporte, secagem e armazenagem e trouxe conhecimento.
Para os visitantes que puderam acompanhar essa experiência, o Caminhos da Soja é uma volta ao passado. A agricultora Marli Hendges é produtora de soja no município de Chapada e contou como foi emocionante reviver algumas lembranças da infância. “Passando por esse caminho, eu consegui lembrar da minha história, de momentos da minha infância. Poder reviver essas lembranças, enxergando até os dias de hoje, foi muito interessante”, exclamou. A agricultora levou o neto para conhecer o Recanto Temático e saber um pouco mais da história. “Foi muito bom ver que ele conheceu parte da nossa história. Ele vai crescer e lembrar que conheceu a época em que meu avô viveu”, completou dona Marli.
O Recanto Temático está aberto aos visitantes até esta a sexta-feira, das 8h às 18h. A equipe da Emater responsável pela organização do Recanto Temático é formada pelos extensionistas Celso Siebert, Alessandro Davesac, Dalvo Arcari, Fabiano Gregorio, Francieli Nava, Sonia Oliveira, Sandra Gayger, Rosmari Muneroli, Cleuza Brutti, Vanessa Almeida de Moraes e Vinícius Toso.

 

Segurança e soberania alimentar serão temas abordados na Expodireto em Não-Me-Toque

Município: Não-Me-Toque

Evento, que acontece entre os dias 10 e 14 de março no Parque da Cotrijal, terá oficinas sobre o aproveitamento da cenoura CRÉDITO: KÁTIA MARCON/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Um dos trabalhos sociais que a Emater/RS-Ascar desenvolve no campo diz respeito à segurança e à soberania alimentar das famílias rurais. Tendo como foco os conceitos que abrangem este tema, com a perspectiva da soberania das comunidades em relação à sustentabilidade, a instituição leva para a 15ª Expodireto Cotrijal, em sua Cozinha Didática, duas oficinas diárias demonstrando receitas sobre o aproveitamento da cenoura. O evento ocorre entre os dias 10 e 14 de março, no Parque da Cotrijal, em Não-Me-Toque.

A assistente técnica regional social e coordenadora da Cozinha Didática, Márcia Barboza Breitenbach, lembra que o trabalho nesta parcela tem interface com a da horticultura e com a da agroindustrialização dos produtos. “Buscou-se oferecer receitas práticas, em que o agricultor possa fazer em casa, diversificando e enriquecendo a sua alimentação e/ou aperfeiçoando os seus processos de agroindustrialização para comercialização no mercado local”, explica Márcia.
Muito cultivada nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul do Brasil e bastante presente em propriedades da agricultura familiar, a cenoura é habitualmente associada à cor laranja, mas existem variedades com outras colorações, como o branco, o amarelo e o roxo. Alimento de alto valor nutricional, a cenoura é rica em betacaroteno, substância que auxilia na boa saúde dos olhos e é responsável pela coloração alaranjada característica do vegetal. No Rio Grande do Sul, a cultura ocupa uma área aproximada de 2.500 hectares, com uma produção de 80 mil toneladas, envolvendo mais de 1.600 produtores.

Ano Internacional da Agricultura Familiar

Embora os números da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontem para uma redução no percentual da população com fome no mundo, ainda existem mais de 800 milhões de pessoas nesta situação. A situação é agravada por modelos insustentáveis de desenvolvimento, que exaurem os recursos naturais, ameaçam ecossistemas e a biodiversidade e comprometem o fornecimento de alimentos no futuro.
Segundo a FAO, que instituiu 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar, o crescimento agrícola envolvendo pequenos produtores, focando numa produção diversificada, especialmente no trabalho das mulheres, será mais eficaz na redução da pobreza extrema e da fome no mundo. “Portanto, cabe a nós refletirmos sobre alternativas para o desenvolvimento dos pequenos produtores, colaborando para o fortalecimento social e, consequentemente, para a produção e acesso a alimentos diversificados e de qualidade”, avalia a nutricionista da Emater/RS-Ascar, Leila Ghizzoni.