Soja e feijão são abordados durante Dia de Campo em Júlio de Castilhos

Município: Júlio de Castilhos

Cerca de 150 pessoas participaram da atividade CRÉDITO: FERNANDO DIAS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Cerca de 150 pessoas participaram da atividade CRÉDITO: FERNANDO DIAS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Cultivos de soja e feijão da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) do município foram recentemente apresentados para produtores rurais, técnicos e estudantes do Instituto Federal Farroupilha e da Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm). Cerca de 150 pessoas participaram do Dia de Campo, entre elas o vice-prefeito Geraldo Ozelame. Promovido pela Fepagro Sementes há mais de 10 anos, o evento tem o objetivo de transferir tecnologias. O centro de pesquisa possui uma área total de 320 hectares, sendo 160 de área plantada (150 de soja e 10 de feijão). Diferentes temas foram abordados nas cinco estações da atividade.
A diretora do centro, Liege da Costa, apresentou o primeiro tema. Ela contou como é feito o melhoramento de soja, as etapas que ocorrem durante os 13 anos de pesquisa, desde as hibridações, feitas em casa de vegetação, até os ensaios para determinação do valor de cultivo e uso, que são os ensaios oficiais registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para o lançamento de novas cultivares. O objetivo, segundo a pesquisadora, é desenvolver cultivares de soja adaptadas para a região de cultivo com alta produtividade e resistência a doenças e a fatores abióticos (causados pelo clima. “Fazemos o registro de semente genética para ser comercializada entre os produtores de sementes”, explicou Liege.
Conservação do solo foi um dos temas
Em parceria com a Ufsm, a Fepagro Sementes apresentou o estudo Conservação do solo e água visando à sustentabilidade dos sistemas de produção – que integra o projeto Mais Água, cuja finalidade é contribuir para o aumento da disponibilidade e melhoria da qualidade da água, através da avaliação de práticas adequadas de manejo de solo, entre outras. A pesquisadora da Fepagro Sementes, Madalena Boeni, falou sobre plantas de cobertura usadas para conservação do solo e recuperação de áreas degradadas. Conforme ela, são aspectos desejáveis de uma planta de cobertura, entre outros, o rápido crescimento, a resistência a pragas e a doenças, o baixo custo das sementes, a fácil implantação e extinção e a alta produção de massa verde.
Durante a apresentação do estudo, Madalena questionou: “qual o entrave para a melhoria da produtividade da agricultura?”. Em sua opinião, é a conservação do solo. “As perdas de solo e água estão mais acirradas porque os princípios básicos do plantio direto, que é um sistema conservacionista, estão sendo negligenciados. A retirada dos terraços é um deles”, afirmou. Por isso, segundo Madalena, é importante fazer a rotação de culturas, mas mantendo as culturas originais. “O ideal é que, durante todo o ano, exista uma cultura sobre o solo, para não degradá-lo. Usando a rotação de culturas, com o tempo, o solo ganha mais qualidade”, sugeriu.
O tema Desenvolvimento de cultivares de feijão Fepagro na safrinha foi abordado pelo técnico em Pesquisa Agropecuária da Fepagro Sementes, Noé Salles. Ele falou sobre as cultivares de feijão desenvolvidas no centro de pesquisa: Fepagro 26, Fepagro Triunfo e Fepagro Garapiá. De cor preta, a cultivar Fepagro 26 foi obtida em pesquisas feitas na Fepagro Litoral Norte, em Maquiné. “É uma nova opção de feijão preto para o Rio Grande do Sul, com bom potencial produtivo, coloração uniforme de grãos, porte ereto e resistência ao acamamento”, explicou Salles.
Testada em diferentes regiões do Estado durante vários anos, a cultivar Fepagro Triunfo, também de cor preta, mostrou excelente desempenho, com ampla adaptação, elevado potencial produtivo e bom nível de tolerância a moléstias sob condições de campo. Já a Fepagro Garapiá (feijão tipo carioca) tem cor bege com estrias marrons. “É a primeira cultivar do grupo comercial carioca indicada para o Rio Grande do Sul inteiramente selecionada no Estado. Por isso, ela se adapta fácil às condições locais de cultivo. Tem alto potencial produtivo e bom nível de resistência a moléstias de campo”, pontuou Salles.
Manejo de doenças também foi debatido
Técnicos da empresa especialista em nutrição equilibrada Agrichem abordaram a Indução de resistência a doenças. Eles explicaram que indução de resistência é a capacidade da planta de evitar ou atrasar a entrada e/ou a atividade de doenças, e que é preciso associar produtos a fungicidas, por exemplo, para que a planta seja mais resistente. O tema Manejo de doenças da soja foi apresentado pelo engenheiro agrônomo da Ruralsul Planejamento Agrícola Eduardo Fredrich, que falou sobre o manejo biológico On Farm, um fungicida biológico. De acordo com ele, trata-se de uma tecnologia que vem ao encontro da necessidade atual de manejos sustentáveis, cujo objetivo é serem ambientalmente corretos, socialmente justos e economicamente viáveis, conseguindo reduzir em até 80% o custo da aplicação de produtos biológicos. “A ideia é reduzir o custo da produção, sem a pretensão de substituir a lavoura convencional”, sintetizou Fredrich.
Pela primeira vez participando de um dia de Campo, a aluna do curso subsequente em Agropecuária do Instituto Federal Farroupilha – Campus Júlio de Castilhos, Beatriz Scapin, de 18 anos, estava entusiasmada. Moradora de Nova Palma e filha de produtores rurais, ela pretende levar o conhecimento adquirido para aplicar na propriedade da família.