Parceria viabiliza o cultivo de uva orgânica em assentamento de Hulha Negra

Município: Hulha Negra

Principal meta é a inclusão social dos agricultores familiares no cultivo, industrialização e comercialização CRÉDITO: JONATHAN HECKLER/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Um projeto-piloto pretende demonstrar a viabilidade da produção de uvas orgânicas em assentamentos da reforma agrária na Metade Sul do Estado. O primeiro município contemplado é Hulha Negra, onde cerca de 20 agricultores familiares do Assentamento Abrindo Fronteiras já estão participando de capacitações que antecedem o plantio das videiras. O projeto é desenvolvido em uma parceria entre a secretaria estadual de Agricultura e Pecuária, a secretaria estadual de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Embrapa, prefeitura de Hulha Negra e Emater, responsável pela assistência técnica.
De acordo com o prefeito de Hulha Negra, Erone Londero, o principal objetivo da iniciativa é a inclusão social dos agricultores familiares no processo de cultivo, industrialização e comercialização da sua produção, de tal forma que a atividade gere renda e oportunidades de inclusão no mercado de trabalho rural. Na Metade Sul do Estado, existem cerca de sete mil famílias assentadas, e, segundo as entidades que compõem o projeto, o uso da fruticultura irá proporcionar uma importante mudança na matriz produtiva da agricultura familiar.
O projeto está na fase de capacitações, para que o produtor esteja preparado a começar o processo de cultivo da fruta. Quatro módulos estão programados. Desses, dois – o primeiro sobre agroecologia e a produção orgânica de uvas, e o segundo sobre o preparo do solo e a nutrição das plantas – já estão sendo realizados. A outra metade deve acontecer até o início de julho e irá englobar os temas plantios de mudas e controle de pragas e doenças.
Para o prefeito, o projeto é um grande desafio, já que é o primeiro no Estado. “A uva aqui está no médio e grande produtor. Nos desafiamos a trazer para o pequeno e fazer dar certo”, disse ele. Londero explica que as capacitações que estão acontecendo já são através do convênio com a Emater, instituição que presta assistência técnica durante todo o processo.
“A ideia é que, em julho, os agricultores já estejam com as mudas em mãos para iniciar o cultivo. Estamos preparando os produtores, porque acreditamos que nada pode dar frutos sem qualificação e esforço. Queremos que eles aprendam para que possam transmitir aos outros”, explicou o prefeito. Por isso, está prevista uma viagem à Serra Gaúcha com produtores que farão parte do projeto para visitar a vinícola Garibaldi, viveiros de produção das mudas e agricultores que cultivam a fruta de maneira orgânica. Segundo Erone, os investimentos no projeto totalizam mais de R$ 700 mil. “Serão R$ 665 mil provenientes do Fundo de Desenvolvimento de Vitivinicultura (Fundovitis) e mais R$ 45 mil da prefeitura”, contou ele.
De acordo com engenheiro agrônomo da Emater e assistente técnico regional em fruticultura, Tailor Garcia, em função de ser um mercado bastante promissor, o cultivo deve ser de uva comum, que serve tanto para o processamento (vinho, suco e doces), quanto para a mesa, mas ele ressalta que a produção só será utilizada para processamento de suco de uva integral. “O consumo da bebida é crescente no Brasil, e a venda de orgânicos está sendo cada vez mais procurada pelos consumidores, que buscam um produto nobre e livre de agrotóxicos”, explicou Garcia. Segundo o agrônomo, já existem indústrias de suco interessadas em adquirir as uvas orgânicas. As frutas serão cultivadas com o sistema de produção Latada e poderão ser vendidas a partir do terceiro ano de vida.

Projeto do minhocário rende lucro a alunos da rede estadual em Hulha Negra

Município: Hulha Negra

Estudantes fizeram a venda da primeira produção de húmus durante a Feira da Reforma Agrária CRÉDITO: IMPRENSA EMATER/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Com o objetivo de incentivar a educação ambiental e a redução de lixo, a Emater, em parceria com a escola estadual de ensino fundamental Josué Gomes, do assentamento Conquista da Capivara, implantou um minhocário. Recentemente, oito alunos da escola fizeram a venda da primeira produção de húmus, durante a Feira da Reforma Agrária do município. “Começamos com esse projeto no ano passado e agora obtivemos uma boa quantidade de húmus. Quando perguntamos para as crianças o que elas iriam fazer com o resultado do trabalho, elas decidiram vender o produto e com o valor adquirido investir em materiais para a escola. Livros e brinquedos, provavelmente”, explicou a técnica agropecuária da Emater, Luciane Foggiato.
De acordo com Luciane, a ideia principal é promover o aproveitamento de lixo, pois os dejetos orgânicos são utilizados na alimentação das minhocas, e incentivar o uso de adubos orgânicos, sem o emprego de agrotóxicos. Daqui a 40 dias o produto poderá ser comercializado novamente. A ideia é fazer isso durante a Feira do Colono, que acontece no final de julho. “Eles estão muito empolgados porque perceberam que podem fazer isso em casa também”, afirmou a técnica.