Visita debate à Fronteira Noroeste sobre como manter a atividade leiteira rentável

Município: Fronteira Noroeste

Produtores da região contam como mantêm a qualidade do leite e aumentam a produção e a produtividade CRÉDITO: SETREM/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Produtores da região contam como mantêm a qualidade do leite e aumentam a produção e a produtividade CRÉDITO: SETREM/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Técnicos e produtores da região de Lajeado participaram de visita técnica para conhecer o sistema de produção de leite em duas propriedades rurais. A atividade foi organizada pelo Projeto Pró-Leite Noroeste e realizada pela Fundação de Capacitação e Desenvolvimento (Funcap) em parceria com entidades como a Embrapa, Emater, entidades da governança de Arranjos Produtivos Locais (APLs), prefeituras municipais e Sociedade Educacional Três de Maio (Setren), para promover a criação de um Arranjo Produtivo Local na região e mostrar como pequenos produtores estão mantendo a qualidade do leite produzido com genética de ponta, manejo das pastagens e redução de custos, permitindo aumento da produção e produtividade. Foram visitadas as propriedades de Valdir Justen, em Boa Vista do Buricá, e Cezar Christ, em Nova Candelária.
A primeira propriedade a ser visitada pelos representantes da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil/RS) foi a do produtor Valdir Justen, em Bom Princípio, interior de Boa Vista do Buricá. Na área total de 18 hectares, o plantel de 34 vacas da raça Jersey produz 550 litros de leite por dia, que são vendidos para uma empresa de laticínios de Palmeira das Missões. O manejo é todo feito em família, pelo casal Solange e Valdir e pelos filhos Ricardo e Camila, que já manifestaram o desejo de continuar com o trabalho na propriedade. O projeto teve início em 2010 com 18 vacas em lactação, com média de 170 litros por dia e ordenha feita no balde ao pé. Hoje, após adquirirem um trator, mais quatro hectares e construir um galpão para tratar as vacas quando há menos pasto disponível, o trabalho de ordenha passou a ser mecânico.
Na propriedade, foi introduzido o sistema rotativo de pastagem. Cada piquete tem água disponível para as vacas beberem no verão e os animais têm acesso à sombra. Para diminuir os custos com a produção de leite, Justen ensina o que a família tem feito na propriedade. “Nós mesmos produzimos o alimento para os nossos animais, através da silagem de grãos de milho. Não podemos nos queixar do preço do leite e vamos dar continuidade à atividade que tanto nos tem dado retorno”, comenta. O assessoramento é feito pelo técnico em Agropecuária da Funcap e acadêmico do curso de Agronomia da Setrem, Cristian Tischer.
O próximo destino visitado foi a propriedade de Cezar e Tatiana Christ, na localidade de Pitanga, interior de Nova Candelária. Em 15 hectares, 34 vacas Jerseys produzem cerca de 15 mil litros de leite por mês. A família tem investido na atividade, tanto na produção do alimento para os animais, quanto na agilidade e higiene do munge, afim de produzir leite seguro e de qualidade. Christ conta que, hoje, toda a ordenha é feita por equipamentos modernos, instalados em local adequado, arejado, limpo e de fácil acesso para os animais. Ele explica que a ordenhadeira tem medição digital e precisa da produção individual de leite de cada vaca e pulsação eletrônica com estimulação individual controlada, que se ajusta automaticamente à velocidade do fluxo de leite. “Iniciamos com leite em fevereiro de 2012 e com o projeto da Funcap em 2014. Aumentamos nossa produção desde então e pretendemos continuar investindo na atividade”, assegura ele. Toda a produção é destinada para uma empresa de laticínios de Três de Maio. A propriedade é assistida pelo técnico em Agropecuária e acadêmico do curso de Agronomia da Setrem, Cristian Nóro.
A Funcap é o responsável pela gestão da APL Leite Fronteira Noroeste, e o Projeto Pró-Leite atende cerca de 250 propriedades que estão focadas no aumento de produtividade e redução de custos. Segundo Diorgenes Albring, coordenador da fundação, a meta é dobrar a produção em propriedades que estão no caminho certo para alcançar estes resultados. “Essa região tem grande vocação para o agronegócio, especialmente no que se refere à cadeia produtiva leiteira. Estamos buscando potencializar o alcance de produtos de alta qualidade e produtividade e gerar desenvolvimento”, afirma.
A Embrapa Clima Temperado de Pelotas é parceira na estruturação da metodologia de assistência técnica aos produtores atendidos neste projeto. O zootecnista, engenheiro agrônomo, mestre e pesquisador da Embrapa, doutor Jorge Fainé Gomes, salienta que o leite representa grande importância econômica e social para os pequenos produtores, por ser a atividade geradora de emprego ao longo da sua cadeia produtiva. Entretanto, observa ele, demanda recursos financeiros e assistência técnica para dar suporte à atividade na propriedade. “O Estado necessita ter estratégias de produção de leite voltado para a exportação com foco na redução no custo de produção de leite, proporcionando maior renda ao produtor”, conclui.