Agricultores aproveitam clima para avançar plantio do milho no Estado

Município: Estado

Precipitações recentes amenizaram os impactos do plantio com solo úmido CRÉDITO: EMATER-RS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Precipitações recentes amenizaram os impactos do plantio com solo úmido CRÉDITO: EMATER-RS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Ainda que a umidade do solo não fosse a ideal em algumas lavouras do Norte do Rio Grande do Sul, os produtores de milho aproveitaram as condições meteorológicas favoráveis para acelerar a implantação da cultura. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater no último dia 22 de setembro, as precipitações recentes amenizaram os impactos do plantio com solo úmido. “As áreas já plantadas apresentam bom stand inicial e estão com baixa incidência de pragas. Continua a aplicação de fertilizantes nitrogenados em cobertura e de herbicidas para o controle de ervas”, destaca o diretor técnico e presidente interino da Emater, Lino Moura.
No Noroeste do Estado, a maioria das lavouras cultivadas sob os pivôs centrais na Região Missioneira está estabelecida, e as demais áreas implantadas em condições adequadas de umidade e manejo de solo apresentam bom stand, crescimento dentro do esperado e sem ocorrência de pragas ou doenças. “Nos próximos dias, começará o plantio de lavouras de resteva de pastagem de inverno, que, normalmente, são em semeadura direta, sem muita palha na lavoura”, comenta Moura. Na região Central, boa parte dos municípios aumentou a área de lavoura de milho, como Cachoeira do Sul e Cacequi, e o plantio já atinge cerca de 30% da área estimada para a atual safra.
Produtores dão continuidade ao planejamento da soja
Mesmo com a diminuição na procura por crédito nos últimos dias, o que indica que muitos produtores já encaminharam seus projetos de custeio, os sojicultores gaúchos dão continuidade ao planejamento da cultura. No momento, a situação é de aquisição de insumos, com prioridade para fertilizantes e sementes, segundo a Emater. Há também a retomada de investimentos para aquisição de máquinas e equipamentos, mesmo que de forma ainda lenta. “Em algumas regiões, muitas áreas onde a soja será cultivada estão ocupadas com azevém ou aveia, como cobertura de solo e utilização de pastoreio. Alguns produtores estão retirando os rebanhos das áreas de pastagens para a realização da dessecação prévia, visando à implantação da cultura de soja”, pontua Moura.
Expectativa para primavera é de estação seca com noites frias
A primavera, que se iniciou no último dia 22 de setembro, às 11h21min, deve ser seca e fria no Rio Grande do Sul. A informação é do Centro Estadual de Meteorologia (Cemetrs) da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). O meteorologista da instituição, Flávio Varone, divulgou o prognóstico climático para os meses de setembro, outubro e novembro deste ano no Estado. Conforme ele, há uma tendência de ocorrer uma condição de neutralidade neste período, ou seja, sem a presença dos fenômenos El Niño e La Niña (a superfície das águas do Oceano Pacífico Equatorial fica com a temperatura mais próxima da normal).
“Em outubro e novembro, ocorre um declínio (das precipitações), com chuvas abaixo da média. O que significa que teremos uma primavera relativamente mais seca”, explica. Em relação às temperaturas, segundo Varone, as mínimas serão mais baixas do que o normal. “As noites devem ser mais frias. Até meados de outubro, as noites serão mais secas, e há a possibilidade de ocorrer geadas tardias”, acredita.
Com essa previsão, de acordo com a agrometeorologista da Fepagro, Bernadete Radin, deve haver um favorecimento das culturas de inverno, como o trigo. “Isso porque há um menor risco de ocorrer doenças fúngicas, aumentando a produtividade e uma maior qualidade do grão”, esclarece Bernadete. “No entanto, se acontecerem as geadas tardias, elas serão prejudiciais para a cultura. Mas, no geral, a expectativa para a colheita do trigo é boa”, adverte. A agrometeorologista destaca, ainda, que as frutíferas, principalmente as de clima temperado, também devem ser favorecidas pela previsão climática. “A sua brotação foi beneficiada pelo frio intenso, mas poderá, também, ser prejudicada pelas geadas tardias”, alerta a pesquisadora.
Se continuar o período neutro e mesmo se vier a ocorrer o fenômeno La Niña, o que significa precipitações abaixo da média, a Fepagro recomenda para as culturas de primavera/verão, como soja, feijão e milho, que o produtor tome precauções, como escalonar a época de semeadura, utilizar cultivares de diferentes ciclos e instalar sua lavoura na época recomendada pelo zoneamento agrícola (ferramenta que indica as áreas de menor risco climático).
Além disso, como lembra a agrometeorologista, os agricultores devem melhorar a estrutura do solo por meio de práticas conservacionistas: fazer a rotação de culturas, manter boa palhada sobre o solo e realizar o plantio em nível. “Assim, o solo vai reter mais água e poderá liberá-la para as plantas no período de estiagem”, conclui Bernadete.

 

Certificação garante mercado para produtos orgânicos no Estado

Município: Estado

foto estado

Integrantes da Opac Rama fortalecem a produção orgânica com produtos certificados CRÉDITO: KÁTIA MARCON/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Produzir, consumir, integrar, confiar. Nessa relação, toda a cadeia produtiva do orgânico é beneficiada: produtor, natureza, consumidor, cultura, arte, vida, futuro. Para fortalecer essa confiança, os próprios agricultores, que têm essa visão da agroecologia e que se dedicam a essa prática de produzir alimentos em harmonia com a natureza, estão se organizando em redes participativas, cujo propósito é a certificação da produção por parte dos próprios agricultores, técnicos e consumidores, que visitam uns aos outros e compartilham ideias e conhecimento, se ajudam. É um trabalho colaborativo.
Na atualidade, o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg) proporciona duas formas colaborativas de certificação: Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade (Opac) e Organizações de Controle Social (OCSs). Entre Opacs e OCSs, o Rio Grande do Sul tem vários grupos, com destaque para a Opac Rama, que integra 70 famílias de municípios da Região Metropolitana, em especial Porto Alegre e Viamão, reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Mapa); e a Opac Litoral Norte, que reúne seis famílias de agricultores associados à Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas (Coomafit), ambas com ação direta da Emater, na prestação de orientações e Assistência Técnica e Social.
No Estado, há ainda A Rede, um núcleo da Rede Ecovida na região de Santa Rosa, “com presença marcante dos escritórios municipais da Emater”, garante Ari Uriartt, assistente técnico estadual de Agroecologia da Emater, que cita, também, a Ecocitros, no Vale do Caí, cooperativa duplamente certificada: pelo Instituto Brasileiro Biodinâmico (IBD), considerada uma certificação de terceira parte, para exportação de óleos essenciais; e pela Rede Ecovida de Agroecologia, para o mercado interno, que historicamente conta com a Assistência Técnica e Extensão Rural Social pública realizada pela Emater, desde sua criação, em 1998. Atualmente, a Rede Ecovida conta com 23 núcleos regionais, abrangendo cerca de 170 municípios, e congrega em torno de 200 grupos de agricultores, 20 Organizações Não Governamentais (ONGs) e 10 cooperativas de consumidores.
Já as OCSs estão organizadas com a finalidade de garantir a comercialização direta em feiras e para os programas federais de Alimentação Escolar (Pnae) e de Aquisição de Alimentos (PAA). “Há no Estado um bom número de OCSs reconhecidas”, afirma Uriartt, ao citar as organizações de agricultores ecológicos/orgânicos sediadas em Pelotas, Lajeado, Porto Alegre e Soledade. “Hoje, mais de 50% das OCSs que estão operando passaram pelas mãos dos nossos colegas da Emater”, complementa o assistente técnino, ao citar a OCS Rio Grande Ecológico, de Rio Grande, e a EcoNorte, de São José do Norte, que abrangem os pescadores da Ilha dos Marinheiros e do distrito Povo Novo, que comercializam na Feira do Produtor do Cassino, realizada todos os sábados, no canteiro central da avenida Atlântica, próximo à antiga estação rodoviária do Cassino, e cuja produção é também entregue para a merenda escolar.
Há ainda no Rio Grande do Sul as OCSs de Arroio do Meio e de Sapiranga, que mantêm visitas periódicas de avaliação de conformidade de produção orgânica, garantindo, para os agricultores e principalmente para os consumidores, alimentos com a qualidade definida pelas normativas e pelo mercado, cada vez mais exigente. “Produzir de forma ecológica requer conhecimento, dedicação e uma visão da propriedade como um todo, provocando mudanças inclusive de hábitos cotidianos de não desperdício de água e energia elétrica, até de aproveitamento integral dos alimentos”, observa Uriartt ao destacar que produzir orgânicos é uma questão de perfil e de compromisso com a qualidade de vida de todos.
A produção orgânica é registrada em 22,5% dos municípios brasileiros e vem crescendo. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2013 havia 6.700 unidades de produção orgânica. Hoje, o número chega a 14.449 unidades. Para a organização da produção orgânica brasileira, o Ministério conta com as Comissões de Produção Orgânica (CPOR) nos estados, formadas por 578 entidades públicas e privadas, entre elas a Emater, que coordenam ações de fomento à essa agricultura, sugerindo a adequação das normas de produção e o controle da qualidade, ajudando na fiscalização e propondo políticas públicas para o desenvolvimento do setor.

 

3ª edição do Prêmio Empreendedor Cultural tem inscrições abertas no Estado

Município: Estado

Objetivo é estimular produtores que fazem a diferença em suas comunidades CRÉDITO: MARIANA RIBEIRO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Objetivo é estimular produtores que fazem a diferença em suas comunidades CRÉDITO: MARIANA RIBEIRO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

O Prêmio Empreendedor Cultural, patrocinado pela AES Sul, busca estimular produtores que fazem a diferença em suas comunidades. Na terceira edição, serão destinados R$ 200 mil para projetos culturais de quaisquer segmentos ou linguagens artísticas. Os projetos deverão ser realizados por produtores em quaisquer dos 118 municípios da área de abrangência da AES Sul. As inscrições serão feitas pelo site www.empreendedorcultural.com.br, até o dia 21 de outubro. Para participar, é preciso ser produtor pessoa jurídica com fins lucrativos, habilitado no Sistema Pró-Cultura/RS e estar sediado na área de abrangência do prêmio. O projeto não precisa estar inscrito na Lei de Incentivo à Cultura (LIC/RS).
A seleção e a premiação acontecem em duas fases. Na primeira, os projetos serão analisados por uma comissão curadora, integrada por pessoas de notório saber e reconhecimento. Serão indicados 20 finalistas, que farão parte de uma imersão de três dias na Residência Sociocriativa, orientados pelo curador geral do projeto André Martinez (http://www.andremartinez.info), em Santa Maria, o que corresponderá a um período de estudo e pesquisa colaborativa para aperfeiçoar os projetos, buscando expandir sua efetividade. Na segunda fase os trabalhos finalistas serão reapresentados e os ganhadores serão selecionados pelo comitê de premiação, composto pelo curador geral, empresa patrocinadora e profissionais da Cida Cultural, realizadora do projeto.
No dia 15 de setembro, às 18h30min, o curador do projeto, André Martinez, participará de um bate papo on-line ao vivo para esclarecer dúvidas dos empreendedores, no link youtu.be/bmc7HmtLGtc. O prêmio também oferecerá capacitação para quem deseja criar projetos inovadores. Uma edição especial do curso Inovação em Projetos 2.0 acontece em Santa Cruz do Sul, entre os dias 29 de setembro e 1 de outubro no Espaço Camarim. Mantendo seu caráter cultural, os projetos precisam lidar de forma inovadora com um ou mais dos temas, que são: #BomPraHackear, #FazGenteBrilhar, #GeraOportunidades, #MultiplicaaEnergia, #LigaOsNós e #CuidaDaVida.
Conheça as hashtags que podem ser aplicadas nos projetos
Um projeto é #BomPraHackear quando consiste em uma ótima ideia e tem algo de especial que inspira e inquieta outros empreendedores. Um jeito de fazer simples, inovador, de baixo custo e alta efetividade. Assim, a sua inovação se renova e beneficia muito mais gente além do seu projeto!
A hashtag #FazGenteBrilhar se aplica quando o projeto oferece às pessoas da região oportunidades de acesso, como expectadores, aprendizes ou protagonistas, a linguagens e repertórios artísticos e culturais; ou quando valoriza a identidade e a memória locais, inclusive assegurando a grupos excluídos e minoritários o direito de se expressarem conforme suas próprias escolhas.
A #GeraOportunidades, por sua vez, diz respeito a ideias que movimentam recursos físicos, financeiros, intelectuais e tecnológicos de um jeito que beneficia a comunidade. Pode ser gerando oportunidades de trabalho para pessoas e empresas da localidade, usando moedas criativas e até mesmo recursos compartilhados. Também pode ser ensinando profissionais e artistas, ou aumentando a disponibilidade de espaços e equipamentos culturais. Quem sabe, ainda, inventando aquela “gambiarra” que permite fazer coisas lindas com pouco dinheiro.
O projeto que #MultiplicaaEnergia é aquele que funciona como um agregador de esforços, um gerador de sinergia, consciente de que a união das partes é bem mais que a simples soma delas. Deve-se pensar nas parcerias que precisam ou podem ser criadas, fazendo com que o empreendimento dialogue com o poder público, com governanças locais, movimentos sociais, com outros empreendedores da região. Cada aliança é uma oportunidade para semear uma cultura de cooperação capaz de promover consensos, pactos e desafios comuns, racionalizando o uso de recursos e multiplicando os benefícios culturais, sociais, econômicos e ambientais.
A ideia #LigaOsNós quando conecta o trabalho com o de outros empreendedores, tecendo ou articulando-se em redes de conhecimento e colaboração. Nas redes de conhecimento, há intercâmbio de informações e experiências. Cada ponto da rede é um nó ligado a outros nós, e, geralmente, essa troca ocorre por meio da internet. As redes de conhecimento também podem ser redes de colaboração, arranjos territoriais ou virtuais onde os nós compartilham recursos, infraestrutura e serviços, entre outros aspectos, e conciliam objetivos particulares com objetivos coletivos.
Por fim, um empreendimento #CuidaDaVida quando compreende que o cuidado com o meio ambiente começa no cuidado com as pessoas e com a forma como elas se relacionam; quando o diálogo é uma prática constante usada para transformar conflitos em sabedoria e em convivência; quando o respeito ao meio ambiente e à diversidade cultural são valores presentes em cada detalhe na forma como o projeto é concebido. É preciso pensar no ecossistema, em diferenças, em praticar, em educar e identificar, dentre as infinitas formas de cuidar da vida, qual é a proposta.

 

Clima favorece desenvolvimento do milho e do trigo no Estado

Município: Estado

Condições de umidade do solo foram propícias para a semeadura de milho em algumas áreas CRÉDITO: EMATER-RS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Condições de umidade do solo foram propícias para a semeadura de milho em algumas áreas CRÉDITO: EMATER-RS/DIVULGAÇÃO/CIDADES

A área de cerca de 370 mil hectares cultivados com milho na região de Santa Rosa apresenta boa germinação. As condições de umidade do solo foram propícias para a semeadura de algumas áreas localizadas mais ao Norte e Nordeste do Estado. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater, há indicativo de ampliação da área cultivada com milho nesta safra, porém, a área destinada à silagem deverá permanecer a mesma, podendo haver leve retração pelo abandono da atividade de bovinos de leite em algumas propriedades. Em todas as regiões produtoras, prefeituras e sindicatos seguem distribuindo as sementes de milho do Programa Troca-Troca.
A cultura do trigo, por sua vez, favorecida pelo clima, segue em desenvolvimento normal, bom stand de plantas e ótimo estado fitossanitário. O período frio permitiu um maior perfilhamento, e a menor frequência de chuvas favoreceu uma baixa incidência de doenças. No momento, os triticultores seguem com os tratos culturais, com aplicação preventiva de fungicida nas lavouras semeadas mais no cedo.
Nas Missões e Fronteira-Noroeste, algumas lavouras de trigo estão em fase de elongação; nas mais adiantadas, a fase é de emborrachamento e floração. Em nível estadual, 3% da área cultivada com trigo se encontram nesta fase, contra uma média de 7% para a época.
Bovinocultura e apicultura apresentam boas condições
O rebanho bovino está na fase final de gestação das vacas e início da parição, que deverá se estender para os próximos meses com expectativa de altas taxas de natalidade. Os rebanhos apresentam bom estado sanitário e os produtores mantêm o monitoramento dos animais no combate às verminoses. A condição corporal dos rebanhos é bastante variável. Aqueles submetidos somente ao pastoreio em campos nativos apresentam condições corporais médias para ruins. Há muitos bovinos fracos, debilitados e com baixa resistência. Já os animais alimentados em pastagens cultivadas de azevém e aveia ou em campos nativos melhorados se encontram em melhores condições corporais, obtendo ganhos de peso satisfatório.
Os enxames apresentam boas condições sanitárias. O período é de entressafra e os produtores fazem manejo das colmeias. A elevação da temperatura facilitou o monitoramento e, dessa forma, recentemente, alguns apicultores puderam vistoriar suas colmeias, fazendo o controle da Varroa destructo, colocação dos ponchos e prevenindo o ataque dos predadores.
As condições climáticas foram favoráveis ao trabalho das abelhas. Porém, nesta época, tem-se poucas florações nas regiões produtoras de grãos, predominando nabo, canola e vegetação nativa. A pouca reserva alimentar existente da última safra está exigindo maior atenção por parte dos apicultores quanto ao manejo alimentar dos enxames, visando ao fornecimento de alimentos energéticos e proteicos para fortalecer os enxames para a próxima safra. A maioria dos que têm caixas somente para consumo familiar e venda de excedente não realizam manejo nesta época, deixando para examinar as caixas somente na primavera. Vários apicultores relataram mortandade das abelhas e redução dos enxames, que acarretará diminuição da produção, refletindo nos preços do produto da próxima safra.
Canola cresce e citros atingem auge da colheita
A canola se encontra nas fases de crescimento, floração e formação das síliquas, com bom padrão de lavoura, sendo concluída a aplicação de fungicida para controle de doenças foliares. Os agricultores estão conduzindo as lavouras com bom padrão tecnológico, atraídos pelo bom preço e liquidez da cultura. A canola ingressa na fase crítica, na qual não tolera geada nem chuva excessiva. No Norte e Oeste, grande parte das lavouras está em florescimento.
Na região da Serra, a safra de citros atinge o auge da colheita da Montenegrina, a principal variedade de bergamota cultivada e produzida na região – frutas de ótima coloração, sabor e teor de suco. O calibre se mostra aquém do esperado, em face de grande carga e como reflexo das condições climáticas ocorridas desde o inverno do ano passado. As plantas das diversas espécies e variedades evidenciam uma boa sanidade, isentas de maiores problemas, assim com as frutas, com raros casos de incidência de fitopatias ou ataque de pragas.
Ainda na Serra, segue a prática de transplante das mudas de cebola da variedade Crioula, bastante favorecida pelas condições climáticas e do solo, devendo ser concluída até o fim do mês. As mudas apresentam bom vigor e ótima sanidade. A uniformidade é boa, o que facilita a seleção para o plantio, tornando alto o rendimento das sementeiras. Devido à insolação e pouca precipitação, as áreas recém-transplantadas já recebem a primeira irrigação, condicionando a um pegamento mais efetivo e uniforme. Lavouras de variedades precoces também se desenvolvem de forma satisfatória, sem maiores problemas fitossanitários.

 

Projeto da Fepagro produz alfaces em sistema de aquaponia no Estado

Município: Estado

Experimento avalia a viabilidade desse sistema com peixes nativos do Rio Grande do Sul CRÉDITO: MARCUS FREDERICO PINHEIRO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Experimento avalia a viabilidade desse sistema com peixes nativos do Rio Grande do Sul CRÉDITO: MARCUS FREDERICO PINHEIRO/DIVULGAÇÃO/CIDADES

A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em seu Centro de Pesquisa em Terra de Areia, colheu seus primeiros pés de alface produzidos em aquaponia, um sistema de produção integrada de vegetais e peixes. Este é um experimento-piloto desenvolvido para avaliar a operacionalidade e a viabilidade de um sistema de aquaponia com peixes nativos do Rio Grande do Sul.
O projeto é coordenado pela pesquisadora Andréa Ferretto da Rocha, com a participação de outros pesquisadores e técnicos da Fepagro das unidades de Terra de Areia, Maquiné, Viamão e Porto Alegre. O experimento com as alfaces foi conduzido pelo estagiário Mário Luiz Biazzetti Filho durante a realização de seu trabalho de conclusão do curso de Biologia Marinha da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
A aquaponia, que já é realizada comercialmente em diversos países e em alguns estados do Brasil, tem se expandido muito nos últimos anos, produzindo peixes e camarões de forma integrada à produção de alface, rúcula, temperos, agrião, manjericão, tomate, pimentão, pepino, entre outros. No Sul do País, devido às condições climáticas, este tipo de atividade ainda é incipiente. O objetivo do projeto de pesquisa é avaliar o potencial do Estado para investir na aquaponia. “A aquaponia pode ser desenvolvida tanto comercialmente – aproveitando, por exemplo, estruturas já existentes de hidroponia ou aquicultura – como em pequena escala, utilizando pequenos espaços urbanos”, enumera Andréa.
No sistema experimental desenvolvido na Fepagro Aquicultura e Pesca, em Terra de Areia, foram colocadas bandejas flutuantes com mudas das alfaces lisas e crespas dentro de tanques povoados com jundiás. Dentro de cada tanque, foram posicionadas duas pequenas bombas de circulação, que, além de movimentar a água, fazem a oxigenação desta e das raízes das hortaliças.
De acordo com Andréa, não há emprego de produtos químicos na aquaponia, pois a fertilização das hortaliças é feita com a ração dos peixes e o produto da excreção destes animais – gerando um vegetal mais saudável e orgânico, com baixo custo de produção. “Além disso, como os vegetais se utilizam da água de criação dos peixes para crescerem, absorvendo os nutrientes, há uma reciclagem da água. Ela pode ser reaproveitada para a produção dos peixes, gerando menos efluentes, efluentes com menor carga orgânica, reduzindo a necessidade de captação de água”, detalha.
Segundo a pesquisadora, os primeiros resultados colhidos, embora ainda sejam iniciais, podem ser considerados promissores. A pesquisa deve ser estendida a outros vegetais e testada com outras espécies de peixes nativos.